sábado, 9 de março de 2013

Estatuto da Pessoa com Deficiência - PARTE 1

Estatuto da Pessoa
com Deficiência

A natureza respeita as diferenças
Acessibilidade universal é direito de todos
Substitutivo ao Projeto de Lei do
Senado, do Sr. Paulo Paim, sobre a
instituição do Estatuto da Pessoa com
Deficiência.
7ª Edição
(texto revisado e atualizado)
APRESENTAÇÃO
A iniciativa do nobre Senador Paulo Paim em apresentar o Projeto
de Lei do Senado no 6, de 2003, com a finalidade de instituir o Estatuto
da Pessoa com Deficiência, vem ao encontro a um antigo anseio da sociedade
brasileira, qual seja o de possuir um aparato legal que assegure
direitos, promova e proteja as pessoas com deficiência em nosso País.
Desde o início de sua tramitação no Senado Federal, tive a honra
de ser indicado relator do projeto. Coube-me a tarefa de analisar a proposta
original e incorporar ao texto as sugestões oriundas dos debates e
discussões promovidos com a participação da sociedade durante estes
três anos de trâmite nesta Casa.
Foram várias audiências, reuniões, debates e ocasiões em que
pudemos ouvir dos diversos segmentos que atuam nesta área. Tivemos,
inclusive, a oportunidade de debater o Estatuto com todas as Assembléias
Legislativas dos estados brasileiros durante seminário realizado por meio
do Sistema Interlegis.
Recebemos durante estes anos milhares de manifestações, idéias,
críticas e opiniões vindas das mais diversas regiões brasileiras, sendo
que todas foram analisadas sob os aspectos legais, práticos e políticos
e, posteriormente, incorporadas ao projeto.
Com o objetivo de adequar a matéria aos avanços e às tendências
mundiais, promovemos uma audiência para analisar o projeto à luz da
Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, aprovada em agosto
de 2006 pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Após estas discussões, alcançamos, a meu ver, um texto coeso, que
contempla direitos fundamentais como assistência social, educação,
saúde, lazer, sanções penais, proteção aos direitos, além da criação de
conselhos de atendimento e promoção da pessoa com deficiência. A
proposta também traz definições importantes, conceituando deficiência visual, auditiva, intelectual, surdo-cegueira, autismo, física, condutas
típicas e múltipla, podendo ainda enquadrar um contingente expressivo
de deficiências contidas na Classificação Internacional de Funcionalidade
(CIF).
A versão hora apresentada foi aprovada por unanimidade na Comissão
de Direitos Humanos e Legislação Participativa e segue para
análise e debate na Câmara dos Deputados, onde esperamos que seja
discutida com o mesmo entrosamento com a sociedade ocorrido durante
a tramitação no Senado.
Desejamos que o Estatuto da Pessoa com Deficiência se consolide
como uma referência legal para este segmento e que, acima de tudo,
seja posto em prática, contribuindo para modificar a realidade de milhões
de brasileiros e brasileiras com deficiência. Cumpra-se a lei! Este
é o nosso anseio.

Senador Flávio Arns
Relator do Estatuto da Pessoa com Deficiência
SUBSTITUTIVO AO PROJETO DE LEI
DO SENADO NO 6, DE 2003
(Do Sr. Paulo Paim)
Institui o Estatuto da Pessoa com
Deficiência e dá outras providências.
O Congresso Nacional decreta:

LIVRO I
PARTE GERAL

TÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Art. 1o Fica instituído o Estatuto da Pessoa com Deficiência,
destinado a estabelecer as diretrizes gerais, normas e critérios básicos
para assegurar, promover e proteger o exercício pleno e em condições
de igualdade de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais
pelas pessoas com deficiência, visando sua inclusão social e cidadania
participativa plena e efetiva.
Art. 2o Considera-se deficiência toda restrição física, intelectual
ou sensorial, de natureza permanente ou transitória, que limita a capacidade
de exercer uma ou mais atividades essenciais da vida diária e/ou
atividades remuneradas, causada ou agravada pelo ambiente econômico
e social, dificultando sua inclusão social, enquadrada em uma das
seguintes categorias:
I – Deficiência Física:
a) alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo
humano, acarretando comprometimento da função física, apresentandose
sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia,
tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia,
ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo,
membros ou face com deformidade congênita ou adquirida;
b) lesão cerebral traumática: compreendida como uma lesão adquirida,
causada por força física externa, resultando em deficiência
funcional total ou parcial ou deficiência psicomotora, ou ambas, e que comprometem o desenvolvimento e/ou desempenho social da pessoa,
podendo ocorrer em qualquer faixa etária, com prejuízos para as capacidades
do indivíduo e seu meio ambiente;
II – Deficiência Auditiva:
a) perda unilateral total;
b) perda bilateral, parcial ou total média de 41dB (quarenta e um)
decibéis ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500HZ,
1.000HZ, 2.000Hz e 3.000Hz;
III – Deficiência Visual:
a) visão monocular;
b) cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no
melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa
acuidade visual entre 0,5 e 0,05 no melhor olho e com a melhor correção
óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em
ambos os olhos for igual ou menor que 60o; a ocorrência simultânea de
qualquer uma das condições anteriores;
IV – Deficiência Intelectual: funcionamento intelectual significativamente
inferior à média, com manifestação no período de desenvolvimento
cognitivo antes dos 18 (dezoito) anos e limitações associadas a
duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como:
a) comunicação;
b) cuidado pessoal;
c) habilidades sociais;
d) utilização dos recursos da comunidade;
e) saúde e segurança;
f) habilidades acadêmicas;
g) lazer;
h) trabalho.
V – Surdo-cegueira: compreende a perda concomitante da audição
e da visão, cuja combinação causa dificuldades severas de comunicação
e compreensão das informações, prejudicando as atividades educacionais,
vocacionais, sociais e de lazer, necessitando de atendimentos
específicos, distintos de iniciativas organizadas para pessoas com surdez
ou cegueira;
VI – Autismo: comprometimento global do desenvolvimento, que se
manifesta tipicamente antes dos três anos, acarretando dificuldades de
comunicação e de comportamento, caracterizando-se freqüentemente
por ausência de relação, movimentos estereotipados, atividades repetitivas, respostas mecânicas, resistência a mudanças nas rotinas diárias
ou no ambiente e a experiências sensoriais;
VII – Condutas Típicas: comprometimento psicossocial, com características
específicas ou combinadas, de síndromes e quadros psicológicos,
neurológicos e/ou psiquiátricos, que causam atrasos no desenvolvimento
e prejuízos no relacionamento social, em grau que requeira atenção e
cuidados específicos em qualquer fase da vida;
VIII – Deficiência Múltipla: associação de duas ou mais deficiências,
cuja combinação acarreta comprometimentos no desenvolvimento global
e desempenho funcional da pessoa e que não podem ser atendidas em
uma só área de deficiência.
§ 1o Considera-se também deficiência a incapacidade conceituada
e tipificada pela Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade
e Saúde – CIF.
§ 2o Entende-se como deficiência permanente aquela definida em
uma das categorias dos incisos ou do parágrafo 1o deste artigo e que se
estabilizou durante um período de tempo suficiente para não permitir
recuperação ou ter probabilidade de que se altere, apesar de novos
tratamentos.
§ 3o As categorias e suas definições expressas nos incisos e parágrafo
1o não excluem outras decorrentes de normas regulamentares a serem
estabelecidas pelo Poder Executivo, ouvido o Conselho Nacional da
Pessoa com Deficiência.
Art. 3o Para fins de aplicação da presente lei, considera-se:
I – apoios especiais: a orientação, a supervisão, as ajudas técnicas,
entre outros elementos que auxiliem ou permitam compensar uma ou
mais limitações motoras, sensoriais ou mentais da pessoa com deficiência,
favorecendo a sua autonomia, de forma a contribuir com sua inclusão
social, bem como beneficiar processo de habilitação e reabilitação ou
qualidade de vida;
II – ajudas técnicas: qualquer elemento que facilite a autonomia
pessoal ou possibilite o acesso e o uso de meio físico, visando à melhoria
da funcionalidade e qualidade de vida da pessoa com deficiência,
como produtos, instrumentos, equipamentos ou tecnologia adaptados ou
especialmente projetados, incluindo órteses e próteses, bolsas coletoras
para ostomizados, bloqueadores, protetores, filtros e demais preparados
anti-solares para terapias; cão-guia, leitores ou ledores para cegos, entre
outros; que, devido ao seu grau de deficiência, exige condições peculiares para
o desenvolvimento de atividades, como jornada de trabalho variável,
horário flexível, entre outros.
Art. 4o São princípios fundamentais deste Estatuto:
I – respeito à dignidade inerente, autonomia individual incluindo
a liberdade de fazer suas próprias escolhas, e à independência das
pessoas;
II – não discriminação;
III – inclusão e participação plena e efetiva na sociedade;
IV – respeito pela diferença e aceitação da deficiência como parte
da diversidade e da condição humana;
V – igualdade de oportunidades;
VI – acessibilidade;
VII – igualdade entre homens e mulheres;
VIII – respeito pela capacidade em desenvolvimento das crianças
com deficiência e respeito ao direito das crianças com deficiência de
preservar suas identidades.
Art. 5o É dever do Estado, da sociedade, da comunidade e da
família assegurar, com prioridade, às pessoas com deficiência a plena
efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à sexualidade, à paternidade
e à maternidade, à alimentação, à habitação, à educação, à
profissionalização, ao trabalho, à previdência social, à habilitação e à
reabilitação, ao transporte, à acessibilidade, à cultura, ao desporto, ao
turismo, ao lazer, à informação e à comunicação, aos avanços científicos
e tecnológicos, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência
familiar e comunitária, dentre outros decorrentes da Constituição Federal
e das leis, que propiciem seu bem estar pessoal, social e econômico.
Art. 6o A garantia de prioridade estabelecida no artigo 5o desta
Lei compreende, dentre outras medidas:
I – primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias;
II – precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância
pública, junto aos órgãos públicos e privados prestadores de
serviços à população;
III – preferência na formulação e na execução das políticas sociais
públicas;
IV – destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas
com a pessoa com deficiência; V – priorização do atendimento da pessoa com deficiência por
sua própria família, em detrimento de abrigo ou entidade de longa permanência,
exceto das que não possuam ou careçam de condições de
manutenção da própria sobrevivência;
VI – capacitação e reciclagem dos recursos humanos nas áreas da
pessoa com deficiência, bem como na prestação de serviços;
VII – estabelecimento de mecanismos que favoreçam a divulgação de
informações de caráter educativo sobre aspectos ligados à deficiência;
VIII – garantia de acesso à rede de serviços de saúde e de assistência
social locais.
§ 1o Entende-se por precedência de atendimento aquele prestado à
pessoa com deficiência, antes de qualquer outra, depois de concluído
o atendimento que estiver em andamento.
§ 2o Nos serviços de emergência dos estabelecimentos públicos
e privados de atendimento à saúde, a primazia conferida por esta lei
fica condicionada à avaliação médica em face da gravidade dos casos
a atender.
§ 3o Cabe à União, aos Estados, aos Municípios e ao Distrito Federal,
no âmbito de suas competências, criar instrumentos para a efetiva
implantação e controle do atendimento prioritário referido nesta Lei.
Art. 7o Compete a União, Estados, Distrito Federal e Município, no
âmbito de suas competências, a criação de órgãos próprios, integrantes da
Administração Pública Direta e Indireta, direcionados à implementação
de políticas públicas voltadas à pessoa com deficiência.
Art. 8o As obrigações previstas nesta Lei não excluem as já estabelecidas
em outras legislações, inclusive em pactos, tratados, convenções
e declarações internacionais nos quais o Brasil seja signatário.
Art. 9o Nenhuma pessoa com deficiência será objeto de discriminação.
§ 1o Considera-se discriminação qualquer distinção, restrição ou
exclusão em razão da deficiência, mediante ação ou omissão, que tenha
o propósito ou efeito de prejudicar, impedir ou anular o reconhecimento,
gozo ou exercício de seus direitos e liberdades fundamentais.
§ 2o Não constitui discriminação a diferenciação ou preferência
adotada para promover a inclusão social ou o desenvolvimento pessoal,
não sendo as pessoas com deficiência obrigadas a aceitar tal diferenciação
ou preferência.
Art. 10. Nenhuma pessoa com deficiência, sobretudo mulheres
e crianças com deficiência, será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, tortura, crueldade, opressão,
tratamento desumano ou degradante, punido na forma da lei qualquer
atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.
Art. 11. É dever de todos comunicar à autoridade competente
qualquer forma de ameaça ou violação dos direitos da pessoa com
deficiência
Art. 12. Na interpretação desta Lei, levar-se-á em conta o princípio
da dignidade da pessoa humana, os fins sociais a que ela se destina e as
exigências do bem comum.

Rio é líder em escolas municipais inclusivas

Segundo IBGE, Estado tem a maior porcentagem de instituições municipais aptas a receber alunos portadores de deficiências

iG São Paulo |
 
 IBGE mostra o retrato dos municípios brasileiros. Veja principais dados O Rio de Janeiro é o Estado com o maior número de cidades que informaram ter escolas municipais inclusivas, de acordo com a Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Pelo levantamento, feito em 2009, 82,6% dos municípios têm instituições preparadas para receber alunos com deficiência física, sensorial, cognitiva ou múltipla e portadores de condutas típicas ou de altas habilidades, necessitando de recursos especializados para superar ou minimizar suas dificuldades.
Mato Grosso do Sul (78,2%), Acre (77,3%), Paraná (69,9%) e Pernambuco (68,1%) completam a lista dos cinco melhores colocados. Na outra ponta, estão Tocantins (23%) e Piauí (24,1%). A pesquisa mostra também que 48% dos municípios brasileiros informaram ter escola municipal apta a receber pessoas com deficiência.

Escola inclusiva

Dados da pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic)
Gerando gráfico...
IBGE

A oferta de escolas adaptadas para receber alunos com deficiência foi impulsionada após o aumento no número de cidades que implantaram o Plano Municipal de Educação (de 31% em 2006 para 56% em 2009). O Plano Nacional de Educação de 2001 - que traçou metas e objetivos nacionais - prevê a adoção de planos municipais e estaduais.
Dos 3.138 municípios com PME, 1.632 (52%) comprometem-se formalmente com a introdução das questões relativas aos direitos humanos no programa curricular das instituições de ensino local. A iniciativa tem forte impacto nos municípios dos Estados do Mato Grosso do Sul (81,6%) e Pernambuco (71,7%), seguidos por Sergipe (66,7%) e Rio de Janeiro (65%).
Secretarias municipais
A Secretaria Municipal de Educação é o órgão que exerce as atribuições do poder público municipal no que diz respeito à educação. Todos os 5.565 municípios brasileiros tinham, em 2009, secretaria de educação. Em 43,8% havia órgãos exclusivos (contra 26,3% em 2006).

A Munic constatou ainda que houve um salto no número de municípios que declararam possuir sistemas próprios de ensino: de 42,7% em 2006 para 52,1% em 2009. O movimento de municipalização do ensino impõe-se com mais intensidade nas cidades de maior porte populacional, abrangendo quase todas as localidades com mais de 500 mil habitantes (97,5%).
Mas nota-se que a balança se equilibra em favor de uma maioria de municípios com sistema próprio de ensino, desde a classe populacional de 10.001 a 20 mil habitantes (50,6%). Em 2006, o mesmo ocorria somente em municípios com população na classe de 50.001 a 100 mil habitantes (52,7%).
Uma constatação é que mais e menores municípios, no que diz respeito ao porte populacional, têm buscado adquirir autonomia financeira, gerencial e político-pedagógica dos Estados quando o assunto é educação. Mas ainda há muitas cidades vinculadas ao sistema estadual de ensino, variando entre 43,4% na Região Sul e 50,8% na Região Norte.
A pesquisa destaca a tendência de municipalização em Estados como Amapá, que passa de 56,3% do total de municípios com sistema próprio de ensino em 2006 para 93,8%, em 2009. O Rio de Janeiro vai de 89,1% para 92,4%, enquanto Sergipe passa de 68% para 90,6%. Na outra direção, o Rio Grande do Norte aparece com maior porcentual de municípios vinculados ao sistema estadual de ensino (94,6%), seguido por Tocantins (84,9%) e Paraná (76,2%).
A municipalização ocorre quando o Estado entrega ao município toda a estrutura física e logística das escolas estaduais e faz a transferência das atividades, escolas ou instituições de ensino dos níveis que compõem a educação escolar básica.
Ações adotadas
A Munic traz dados das principais medidas ou ações adotadas pelo órgão gestor da educação. Quando o assunto é investimento em capacitação de professores, 85,2% dos municípios afirmam ter polítias neste sentido. Em 2006, o índice foi de 82,2%.
Também melhoraram transporte escolar - de 48,5% para 48,8% -, participação da comunidade na gestão da escola - de 42,7% para 43,6% -, melhoria ou implementação de programas de assistência escolar - de 32,3% a 50,5% -, ampliação do atendimento de alunos com necessidades especiais - de 24% para 28,9% -, desenvolvimento de projetos para educação de jovens e adultos - de 19,7% para 33,1% - e instituição de cursos profissionalizantes - de 2,7% para 3,7%.
Questinados sobre evasão escolar, 60,3% - ante 54,7 em 2006 - dizem que houve diminuição em suas escolas municipais. Dados coletados revelam também que houve piora de 2006 a 2009 na regulamentação e valorização da carreira do magistério - 49,9% para 33,3% -, contratação de professores - 31,6% a 27,5% -, campanha e/ou programa para matricular crianças na escola - de 43,9% para 28,5% -, autonomia financeira da escola - de 14,2% para 9,9% -, desenvolvimento de projetos para educação no campo, indígena e ambiental - de 10% a 9,7% -, desenvolvimento de projetos para promoção de uma educação não racista - de 4,4% a 1% - e investimento em organização administrativa - de 25,2% para 25,1%.

Escola é modelo para socialização de deficientes

iG acompanha a manhã de uma escola municipal do Rio de Janeiro referência em educação inclusiva

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro | 13/05/2010 18:23


Texto:

Foto: Fabrizia Granatieri Ampliar
Mariana Dannei procura sua sala
Tamires do Nascimento chega à escola pontualmente às 7h30. Segue pelos amplos corredores, guiando-se pelo corrimão. Para encontrar sua sala, tateia as placas com inscrição em braile localizadas à direita de toda porta. A professora a recebe de prontidão e a encaminha para sua carteira, na segunda fileira em frente ao quadro-negro. Tamires é aluna do oitavo ano da Escola Municipal Orsina da Fonseca, no bairro da Tijuca, zona Norte do Rio. Deficiente visual desde que nasceu, a jovem, de 21 anos, é apenas uma aluna entre os 710 que se distribuem em três turnos de aulas do colégio.
A escola é considerada modelo de integração social e pedagógica para crianças e jovens com algum tipo de necessidade especial. Acaba de ganhar o “Prêmio Experiências Educacionais Inclusivas: A Escola Aprendendo com As Diferenças”, dado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), e vai representar a região Sudeste em congresso em Brasília de 24 a 27 deste mês.
A diretoria, além da oportunidade de fazer intercâmbio com outras escolas adaptadas para alunos com necessidades, concorre a um prêmio de R$ 8 mil oferecido pelo Governo Federal. Mas esta escola não é a única que se destaca no Rio. Segundo o IBGE, o Estado tem a maior porcentagem de instituições municipais adaptadas para a recepção de alunos portadores de deficiências.

“Temos baixo número de faltas e de atrasos. Não vou dizer que é fácil para essas crianças acompanharem as aulas com as demais. Mas a superação vem com a ajuda dos outros alunos, da família e dos professores”, afirma Rose Antunes, diretora da Orsina da Fonseca.
Desde 2007, a escola vem passando por melhorias em sua estrutura para acolher melhor os jovens que necessitam de cuidados extras. Além de estarem integrados aos demais alunos, eles podem ter maior independência no ir e vir da sala de aula. “Eles já sofrem muito preconceito por parte da sociedade. Aqui dentro não pode ter este tipo de problema. Graças a Deus nunca houve nada relacionado a isso”, garante Cheng Dannei, mãe de Mariana, outra deficiente visual que frequenta o sexto ano.
Todo mundo é normal
A sala de aula está uma algazarra. A turma do fundão troca bolinhas de papel, alguns cochicham pelos cantos e outros dois desenham no quadro. O professor entra na sala e tudo volta à calmaria. Entre os 30 alunos daquela turma, um deles é a cadeirante Gabriela da Costa, de 14 anos. Portadora de deficiência intelectual e física, Gabi, como é chamada pelos colegas de turma, é tratada como mais uma aluna, sem restrições.
Na hora do recreio, outros amigos de classe a auxiliam com a cadeira para descer as rampas. Não que isso seja necessário. Mas todos parecem gostar de interagir com ela. Um dos alunos brinca com o professor. “Pode repetir? Não estou ouvindo. Acho que estou surdo”, diz, um tanto maroto. “Você sabe que não é assim que deve agir”, orienta o mestre.
Gabriela da Costa assiste à aula na Escola Municipal Orsina da Fonseca, no bairro da Tijuca, zona Norte do Rio - Foto: Fabrizia Granatieri
1/7
Preparo dos professores
Todos os professores passaram por palestras e receberam apostilas para se adequarem às necessidades de alguns dos alunos. Apesar de serem minoria entre as centenas de crianças da escola (cerca de 20 estudantes), eles precisam de atenção redobrada. “Acho que os surdos são os que precisam de maior cuidado. Um sinal malfeito para indicar uma palavra na linguagem braile e você acaba falando um palavrão. Daí ele ri na hora”, adverte a professora de Artes Cênicas Sandra Daleni.
Paulo Renato, de 20 anos, frequenta o nono ano da escola. É o único surdo do turno da manhã. Apesar de conseguir fazer leitura labial com muita agilidade, tem à disposição uma professora auxiliar na sala para traduzir em linguagem de sinais o que a professora titular está ensinando aos demais da turma. “Ele é um ótimo aluno”, diz Marcia Braga, que leciona Biologia.
“Todos nós somos deficientes em alguma coisa. Eles não são mais do que ninguém, como não são menos. É preciso mudar a maneira de enxergá-los para que o tratamento seja igual para todos. Aqui os alunos aprendem a ser solidários e ajudam na socialização dessas crianças”, diz Sandra.
Estrutura física
Um dos banheiros é adaptado para cadeirantes. Uma campainha fica na altura dos joelhos para ser tocada em eventuais emergências e a maçaneta da porta é mais baixa. Tem ainda apoio de mão em todas as laterais e a pia é rebaixada - assim como os bebedouros do corredor. Tudo para que ninguém precise de ajuda extra. O refeitório também recebeu uma rampa de acesso.
“É assim que ensinamos cidadania”, diz Tereza Cupello, uma das professoras de atendimento educacional especializado, que ajuda na orientação aos demais mestres. Assim como Tereza, Paula Fragoso percorre algumas escolas do município para tirar dúvida de professores e até mesmo de pais. “Conheço a vida de cada um dos alunos portadores de algum tipo de deficiência. Me envolvo com a história deles. É incrível como não sofrem nenhum tipo de rejeição por parte dos demais alunos”, afirma Paula.
Toca o sinal. É o que todos esperam para poder ir embora. Mariana Dannei guarda em sua mochila a máquina de escrever em braile, que a acompanha substituindo os tradicionais cadernos, e se levanta rumo à porta. Sua mãe já a aguarda na saída, assim como a dos demais alunos. Para aqueles jovens, uma vida normal - pelo menos dos portões da escola para dentro.
 

Xiiii .. deu vontade. E agora!?


Dentre muitas curiosidades que cercam o mundo do cadeirante, tem uma que se não for a maior é a principal dúvida das pessoas: “Como é que as meninas fazem pra ir no banheiro?!” esta é uma preocupação a mais na vida das meninas cadeirantes, e mais uma injustiça no universo feminino kkkkkkkkkkkkk Podem ficar felizes rapazes, vocês são sim muito bem “equipados” e isentos de todo o malabarismo que NÓS mulheres temos que fazer para ir ao banheiro. Sentiram o ar de revolta no ar!? Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Tudo brincadeira, mas que vou tentar explorar aqui hoje para falar desse assunto delicado para a maioria das mulheres cadeirantes, lógico que para os meninos também existem dificuldades, mas com certeza são mais facilmente solucionadas. 
A depender do tipo da deficiência a função urinaria pode ficar comprometida necessitando de procedimentos médicos específicos para eliminar a urina. Nesses casos específicos, como a lesão medular ou alguma outra disfunção urinaria, a bexiga perde o controle natural na hora de eliminar o líquido e a eliminação deixará de ser automática. Em um traumatismo de coluna com lesão medular, por exemplo, pode haver comprometimento dessa comunicação entre o cérebro e o sistema urinário, e os estímulos nervosos não conseguem ser transmitidos corretamente ao cérebro fazendo com que o fluxo urinário muitas vezes seja eliminado “involuntariamente” sem o controle normal da pessoa com deficiência, e nestes casos o uso do cateterismo ou sonda é indicado.  Sem esquecer que TODOS ESTES PROCEDIMENTOS DEVEM SER INDICADOS E ACOMPANHADOS POR UM MÉDICO!! No meu caso e no das meninas do blog (a Lú e a Dé especificamente), nós temos o controle total do esfíncter (controle da eliminação das funções fisiológicas básicas, a micção e a evacuação), a Distrofia não afetou essa musculatura. 
Como já estão carecas de saber, gosto de sair com meus amigos e nos muitos lugares que eu frequentava (logo no inicio da minha vida de cadeirante baladeira, sim eu hoje dei uma reduzida nas baladas kkkkkkkkkkk Não parei de sair, continuo saindo, mas estou mais seletiva) não tinha banheiro adaptado e por isso eu deixava de ir e quando saia além de não tomar quase nada, ficava pouco tempo com eles. Até que um belo dia um amigo, o Thiago, veio me perguntar se eu já havia pensado em usar o fraldão, achei estranho o comentário dele e ri sem jeito, mas ele continuou dizendo que seria interessante tentar, pois só assim eu poderia ficar mais a vontade de sair sem me preocupar em ir ao banheiro e curtir mais tempo as baladinhas com eles. Fiquei com aquilo na cabeça, pensei e tentei visualizar a cena “Wivian com fraldão”, será que todos iriam reparar? Como é que é um fraldão, é igual ao de crianças!? Que situação viu kkkkkkkkkkkk .... Mas resolvi tirar a prova, e escolhi testar num show com quase 10hs de duração, em local aberto e sem NENHUM banheiro acessível. Minha mãe comprou na farmácia e de cara eu já ri kkkkkkkkkk Gente era enorme kkkkkkkkkkkk, e como as fraldas para crianças também tem a classificação por peso. Pra vestir foi meio complicado, pois não tinha prática e precisei da ajuda da minha mãe. O modelo que ela comprou é igual a de criança, com duas fitas adesivas e tal, eu só fazia rir da cena kkkkkkkkk. Devidamente equipada, parti para o show com os meus amigos.

Quando desci do carro me senti totalmente observada, tipo o Big Brother sabe kkkkkkkkkk mas era só encucação minha mesmo, o fraldão estava super tranquilo e escondido. A não ser pelo pequeno volume que ficou na frente do short e as “sobras” da fralda por cima da cintura do short, mas que não apareciam por causa da blusa (tudo fruto da imaginação!!). O dia tava lindo, o Chiclete com Banana tocando e eu bebendo todos os copos com água possíveis e imagináveis. Daí deu a temida vontade, e agora!? Chamei meu amigo e pedi pra ele ficar do meu lado espiando pra ver se alguma coisa dava errado kkkkkkkkkkk Fiz, e a sensação é esquisita. No começo não foi fácil, ate porque eu não estava num ambiente mais indicado, mas fazer o que né?! Quando conclui, pedi pro meu amigo conferir embaixo da minha cadeira e nada de diferente, respirei aliviada e relaxei kkkkkkkkkkk Durante este show, isso se repetiu por mais algumas vezes, e só na terceira é que vazou um pouco, mas para o meu alivio isso já foi no final do show.
Muitos shows, passeios e várias idas a locais sem acessibilidade se passaram e pude aprender a tirar o maior proveito do fraldão. E só costumo usá-lo nessas situações mesmo. E de tanto usar eu até desenvolvi técnicas para que o não houvesse vazamentos. Criei (ousadia total minha né, afirmar que EU é que inventei kkkkkkkkkkkkk) uma “dancinha” pra distribuir o líquido por toda a fralda e não deixa-lo se acumulando em um único local. Eu chamo de “Dança do joystick” kkkkkkkkkkkkkkkk você imita as direções das setinhas do joystick (lentamente POR FAVOR pra que ninguém saia de perto de você com medo ou ache que você esta tendo um treco kkkkkkk). Parece bobo, mas funciona mesmo.
Eu sou uma defensora do fraldão e levanto essa bandeira pra todas as meninas que de alguma forma deixava de sair preocupadas com a questão do banheiro. Não tenham medo ou vergonha de usá-la. Eu e a Lú a usamos, sem nenhum problema, e até nos divertimos com as várias situações que passamos. E se quiserem rir também, pensem no aspecto positivo (e maluco todo MEU! KKKKKKKKK) o fraldão é quase um Bundex kkkkkkkkkkkkkkkkk aquelas calcinhas que vem com enchimento no bumbum (Eu e meus micos!!) kkkkkkkkkkkkkkkk
Beijos e inté mais
=)




Cadeirantes fazem Blitz no Fórum para ganhar REMÉDIOS



Ainda em 2010, o Ministério Público Estadual ingressou com uma Ação Cível Pública junto à 3ª Vara Cível da Comarca de Marabá pedindo que a Justiça determinasse que a Secretaria Municipal de Saúde regularizasse o repasse de medicamentos para 98 cadeirantes que têm direito, por lei, a receber o produto. A juíza Maria Aldecy de Souza Pissolati, titular da 3ª Vara, deu prazo de 48 horas para que a SMS regularizasse a compra dos medicamentos e sondas, mas o mesmo não foi cumprido.

Jarbas Farias de Oliveira, cadeirante há 33 anos, disse que nunca ele tinha se sentido tão humilhado para ter acesso a seus direitos como na atua gestão. Nos últimos três meses, a dificuldade para conseguir sonda medicamentos e produtos junto à Secretaria Municipal de Saúde extrapolou todos os limites.

Há 90 dias, a sonda uretral falta com regularidade, enquanto a sonda de uso contínuo, ele precisa de 180 por mês, além dos medicamentos. “Todo mês nós temos de recorrer ao Ministério Público e ao Fórum para ter nossos direitos garantidos, e isso é humilhante para todos nós, cadeirantes, que somamos 98 cadastrados junto à SMS para receber medicamentos”, explica.

Ontem, segunda-feira, 12, Jarbas mais outros dois colegas cadeirantes foram ao Fórum de Marabá entregar documentação solicitada pela juíza Maria Aldecy de Souza Pissolatti. Eles levaram orçamentos de três empresas diferentes de Marabá e a magistrada informou ao que iria determinar o bloqueio de valores nas contas da Secretaria Municipal de Saúde para garantir a aquisição dos medicamentos e produtos dos cinco cadeirantes que recorreram àquela Vara.

Jarbas diz que enfrentou uma verdadeira via crucis para conseguir os orçamentos e que uma rede de farmácias dar três viagens para conseguir o documento. A reportagem apurou que o valor a ser gasto com cada cadeirante com medicamentos e sondas é de R$ 1.000,00. Assim, o valor a ser bloqueado nas contas da SMS chegaria, inicialmente, a R$ 5.000,00. “Só vamos contemplar inicialmente esses cinco cadeirantes porque apenas eles nos procuraram”, observou a magistrada, que aguardava o processo retornar do Ministério Público, que havia pedido vistas no mesmo.

Para Jarbas, o sofrimento que os 98 cadeirantes passam todos os meses para conseguir obter a medicação é algo lamentável. Ele não descartou que o grupo feche a entrada dos servidores à Secretaria de Saúde ainda esta semana, caso a medicação não seja fornecida pelo município. “Esta é a terceira vez que venho ao Fórum para reclamar meus direitos. Isso não precisava acontecer”, desabafou. (U. P)

Cadeirantes fazem manifestação para cobrar manutenção dos ônibus adaptados

Luciano Pergentino, da Associação dos Deficientes Físicos do Estado da Bahia, disse que uma lei de acessibilidade que ampara as pessoas com deficiência e que infelizmente não é respeitada.
31/10/2012 12:38
 
 
Paulo José/Acorda Cidade

Foto: Paulo José/Acorda Cidade

 
Daniela Cardoso
 
Cadeirantes realizaram uma manifestação na manhã desta quarta-feira (31) em frente ao transbordo central em Feira de Santana. Eles reivindicam a manutenção dos ônibus adaptados.  Luciano Pergentino, da Associação dos Deficientes Físicos do Estado da Bahia, disse que existe um descaso com os cadeirantes da cidade
 
“O objetivo da manifestação é a manutenção do transporte público adaptado, pois é um descaso muito grande com os cadeirantes de Feira de Santana que não podem se locomover dentro da cidade. Eles são carregados nos braços”, afirmou
 
Luciano Pergentino ressaltou que existe uma lei de acessibilidade que ampara as pessoas com deficiência e que infelizmente não é respeitada. Ele afirmou que fez várias reclamações, inclusive no Ministério Público, mas que não obteve resultados
 
“Tivemos que tomar essa atitude, que muito tempo estamos reclamando, e os empresários dos ônibus não têm atenção. Procuramos várias vezes a SMTT e eles informaram que a fiscalização e a manutenção são realizadas, mas os ônibus andam quebrados e nós precisamos de segurança nesse equipamento”, afirmou.
 
O superintendente da SMTT, Denílson Santiago esteve no local da manifestação e reconheceu que existe o problema. Ele informou que uma comissão para avaliar os veículos será realizada na noite de hoje, onde um prazo para a solução do problema será estabelecido.
 
Uma nota divulgada no site da prefeitura municipal de Feira de Santana, na manhã de hoje, informa que representantes das empresas que alimentam o Sistema Integrado de Transporte (SIT) e fiscais da Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) vão se reunir com alguns integrantes da Associação dos Deficientes Físicos do Estado da Bahia durante a noite, no Transbordo Central, para inspecionar as condições dos veículos que dispõem de elevador.
 
De acordo com a nota, dos 211 ônibus que compõem o SIT, 84 possuem elevador. No entanto, o secretário da SMTT, Flailton Frankles, informou que os equipamentos apresentam problemas até mesmo quando têm contato com areia e que diante disso, a SMTT vai recomendar a manutenção de todos os equipamentos e o pleno funcionamento, dentro de cinco dias.
 
“A manutenção precisa ser diária. Nesta reunião com a categoria, serão identificados os problemas para que as empresas responsáveis, a 18 de Setembro e a Princesinha, solucionem os devidos problemas”, disse Frankles.
 
Com informações do repórter Paulo José do Acorda Cidade
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domingo, 20 de janeiro de 2013

Paraplégico movimenta pernas após transplante pioneiro na Bahia

 Células-tronco

No tratamento são usadas células tronco mesenquimais. Policial passou nove anos na cadeira de rodas.

O transplante de célula-tronco na medula óssea realizado no último dia 14 de abril, em Salvador, traz resultados que animam os médicos. Um policial militar de 47 anos, que não quis ser identificado, paraplégico depois de um acidente e passou os últimos nove anos numa cadeira de rodas. Após se submeter ao tratamento, ele voltou a movimentar as pernas.
O policial não fazia nenhum movimento da cintura para baixo. Ele também teve melhora na musculatura que controla o fluxo de fezes e urina e não precisa mais de fraldas e outros equipamentos. A esperança de voltar a ter uma vida normal nunca foi tão grande.
“Antes eu tinha um tronco que estava vivo e pernas que não respondiam. Agora eu percebo que elas estão vivas, pertencem a mim e depende de mim para que elas acordem”, destaca.
Agora, o policial já consegue mover os joelhos para cima, uma façanha para quem tem a musculatura atrofiada pela falta de uso. Outra mostra impressionante da recuperação da força nas pernas está em um exercício, que ainda exige equilíbrio. Para a equipe de fisioterapia o mais surpreendente na recuperação do paciente é que ele está pedalando. Assista o vídeo.
(Veja: Paraplégico consegue levantar e se mover após tratamento com estímulo elétrico)
Para que o paciente fosse submetido a um transplante de células tronco, uma pesquisa foi feita durante cinco anos e, antes de ser usada em humanos, a técnica mostrou bons resultados em animais.
No tratamento, os médicos usam células tronco mesenquimais, que têm grande capacidade de se transformar em vários tipos de tecido. Elas são retiradas do osso do quadril do próprio paciente e injetadas diretamente no local onde a coluna foi atingida. A técnica pioneira foi desenvolvida por cientistas da Fundação Osvaldo Cruz e do Hospital São Rafael, onde fica um dos mais modernos centros de terapia celular do país. Os pesquisadores estão espantados com a evolução rápida do paciente.
“Basicamente em uma semana ele já começou a ter resultados clínicos, uma melhora na sensibilidade, uma melhora na postura sentada e este paciente vem evoluindo”, observa Marcus Vinícius Mendonça, neurocirurgião.
Mas os médicos acham cedo para dizer se ele e as outras 19 pessoas com o mesmo problema que também irão receber células tronco vão voltar a andar normalmente Ricardo Ribeiro, coordenador do programa.
“Esse paciente pode ter ainda outras melhoras e os outros podem ter melhoras maiores, ou iguais ou piores. Então, a gente tem que esperar”.
Por enquanto o policial é entusiasmado pelo primeiros resultado e faz planos. “Eu sempre gostei de praia, ir à praia, poder tomar um banho de mar sem que ninguém te carregue, né? poder ir a um estádio, que eu sempre gostei de futebol, poder jogar um futebol, ir a shopping, fazer o que eu sempre fazia”, espera.
Fonte: G1 (01/06/11)
O que são células-tronco mesenquimais?
A célula-tronco mesenquimal (MSC) é encontrada primariamente na medula óssea e no sangue de cordão umbilical.
Possui a capacidade de gerar diferentes tecidos: ossos, tendão, cartilagem, tecidos adiposo e muscular, suporte medular e células neurais, colocando-se assim em evidência para procedimentos de engenharia de tecidos e suporte ao transplante de medula óssea.
Recentemente, a Prof. Dra. Mayana Zatz, Coordenadora do Projeto Genoma, sugeriu que os Bancos Privados e Públicos estocassem o tecido do cordão também. Segundo estudo publicado pela pesquisadora, o cordão umbilical apresenta uma grande quantidade de células-tronco mesenquimais.
Após a coleta do sangue e do tecido do cordão umbilical, a célula-tronco mesenquimal é purificada por meio de técnicas de cultivo. Além disso, o Grupo Criogênesis vem estudando, incansavelmente a expansão numérica deste tipo celular.
Fonte: www.criogenesis.com.br

Minha Casa, Minha Vida tem cotas para idosos e deficientes

Pelas novas regras, fica criada uma reserva de 3% das casas para idosos e deficientes
O governo alterou as regras para seleção dos candidatos a beneficiários do programa Minha Casa, Minha Vida. Pela nova regulamentação, publicada hoje (27) no Diário Oficial da União, ficam reservadas cotas de casas para idosos e pessoas com algum tipo de deficiência. No mínimo, 3% das casas oferecidas ficarão reservadas para idosos. O mesmo percentual fica reservado para os deficientes.
O texto publicado hoje revoga a portaria 140, publicada em 6 de abril de 2010. O texto anterior determinava que idosos e deficientes deveriam ser atendidos “segundo percentuais mínimos previstos nos normativos específicos dos programas integrantes”, mas não informava que percentual seria esse. Agora, a cota fica explicitada.
Renda mínima
O novo texto traz ainda outra novidade importante. Ele retira a exigência de que os canddiatos tenham renda bruta limitada a R$ 1.395. Agora, a condição é que o candidato já esteja inscrito em cadastros habitacionais dos estados, municípios ou do Distrito Federal. Esses cadastros locais já prevêem critérios de renda e de condição social dos candidatos.
A Caixa Econômica Federal será a responsável pela finalização do processo seletivo.