Os deficientes visuais ganham grande reconhecimento no interior de São
Paulo, seja em programas educativos, programas de reabilitação e até
mesmo em programas de readequação estruturais. Com esse planejamento,
muitos portadores dessa deficiência encontram ajudas, desenvolvem novas
habilidades e conseguem assimilar informação.
Na Universidade Sagrado Coração (USC) em
Bauru,
interior de São Paulo, existe um Núcleo de Informações sobre
Deficiência, que disponibiliza serviços que envolvem: Unidade de
Musicografia Braille (UMB), Biblioteca Virtual, Consultorias e
Assessorias, Integração com outras redes nacionais e internacionais,
realização de eventos, produção de material em diferentes mídias, entre
outros.
O local é usado por alunos da universidade que possuem qualquer tipo de
deficiência, mas também é aberto ao público em geral, que através de um
valor de R$ 30 por ano, pode usar os aparelhos do local. “O local
funciona como uma sala de apoio que é usada também pelos municípios da
região, que direcionam para cá os alunos com necessidades especiais”,
explica Claudio Corradi, que foi coordenador por mais de dez anos e hoje
dá apoio as atividades desenvolvidas pelo Núcleo.
USC oferece serviços que possibilitam o estudo de pessoas como Claudice. (Foto: Guilherme Martins/ G1)
Segundo Corradi, o intuito é fornecer ajuda e informação, assim como
ferramentas pedagógicas para que estas pessoas tenham as mesmas
condições que qualquer outro aluno. Outra facilidade que o local dispõe é
o serviço de monitoria. Assim que o aluno é matriculado na
universidade, ele recebe o convite para trabalhar como monitor e cuidar
de um aluno com necessidades especiais, ajudando na mobilidade e nas
tarefas.
“Como resultado do serviço, o aluno recebe uma remuneração em forma de
bolsa de estudos, que varia de acordo com o tempo disponível que o aluno
realiza o serviço”, diz Corradi.
A ex-aluna Claudice Matias Oliveira Grin foi auxiliada nesta
iniciativa. Ela tem deficiência visual de nascença. E com o trabalho
desenvolvido pelo Núcleo conseguiu realizar seu sonho de ingressar na
faculdade e se formar em psicologia. “Sempre tive o sonho de estudar,
mas minha infância foi muito humilde e difícil. Lembro que meus irmãos
iam à escola enquanto eu ficava memorizando as lições deles”, conta.Ela
relembra o momento em que concluiu o curso e ganhou o diploma. “Tive
vontade de gritar de emoção, porque eu nunca imaginei que um dia
conseguiria! Graças a Deus realizei um sonho e pude dar orgulho à minha
família. Todos vieram para a minha colação de grau”, conta.
Para Corradi, as pessoas com necessidades especiais só precisam de uma
oportunidade. “Se eles tiverem uma chance, voam longe, porque são
dedicados e comprometidos. Às vezes uma empresa fica receosa com as
adaptações que são necessárias ao se contratar um deficiente, mas eles
rendem mais do que se imagina”, e complementa. “Quando tratamos todos de
forma igual, fazemos a análise certa”.
Atividades desenvolvidas pela Asac em Sorocaba
(Foto: Divulgação)
Já na região de
Sorocaba,
os deficientes visuais podem encontrar apoio na Associação Sorocabana
de Atividades para Deficientes Visuais (Asac). A entidade beneficente,
de caráter filantrópico, trabalha na habilitação e na reabilitação do
deficiente visual, através de treinamentos específicos, proporcionando
conhecimentos para o desempenho de diferentes tarefas.
Uma das propostas levantadas pela associação é promover cada vez mais a
integração dos deficientes visuais na sociedade e do reconhecimento de
seus direitos de cidadania.
A Associação possui uma equipe multidisciplinar composta de terapeuta
ocupacional, Pedagoga, psicóloga, professor de praille, técnica em
orientação e mobilidade psicóloga, assistente social, artesanato e
informática.
De acordo com Daniely Oliveira, funcionária da entidade, os deficientes
normalmente vão até o local por iniciativa própria ou por
encaminhamento médico. Como requisito de controle, é feito um cadastro e
depois uma triagem pelos profissionais da Associação. Nesse momento é
definido em qual atividade o deficiente se encaixa. A funcionária ainda
relata que as atividades são tanto individuais quanto em grupo, e que se
adaptam de acordo com o grau de deficiência apresentada. A entidade
trabalha com atendimentos contínuos e até dezembro de 2011 contava com
130 deficientes visuais que se beneficiavam dos 'tratamentos'.
Os 61 veículos coletivos de Jaú são adaptados ao
sistema. (Foto: Divulgação/ Prefeitura de Jaú )
Ainda na região de Bauru, outras iniciativas têm facilitado a locomoção de pessoas com deficiência visual. Em
Jaú,
um projeto pioneiro da Prefeitura por meio da Secretaria do Direito da
Pessoa com Deficiência e Idosos, em parceria com uma empresa privada,
instalou um dispositivo no transporte coletivo do município.
“O sistema é bem simples. A pessoa que tem deficiência visual ou baixa
visão adquire um transmissor que tem uma tecla de navegação onde ela
programa as linhas que utiliza e quando o ônibus da rota selecionada
está próximo ao ponto, o motorista é avisado, por meio de ondas
eletromagnéticas de baixa frequência, que tem uma pessoa com deficiência
visual à espera do veículo então emite o aviso sonoro com o nome da
linha, por meio de uma caixa de som acoplada ao ônibus”, explica Estevam
Rogério da Silva, gerente da secretaria.
O gerente explica ainda que a cidade adquiriu 50 transmissores e
atualmente 39 pessoas usam o aparelho, entre elas 37 são deficientes
visuais e dois casos são de baixa visão e pessoas que não conseguem ler
os letreiros dos ônibus. “Os transmissores são oferecidos gratuitamente
para as pessoas de baixa renda comprovada”, completa Estevam.
Os 61 ônibus coletivos de Jaú são equipados para oferecer o serviço e
de acordo com Estevam a aprovação é geral. “O sistema é muito importante
para as pessoas que querem ter independência e a mobilidade garantida.
Jaú foi pioneira na implantação e esse objetivo, de auxiliar na
independência da pessoa com deficiência tem sido alcançado”, ressalta.
Os interessados devem procurar a Secretaria de Direitos da Pessoa com
Deficiência e Idosos com os documentos pessoais (RG e CPF), um
comprovante de residência e da renda familiar (que não pode ultrapassar
um salário mínimo por pessoa) e o laudo médico .
Semáforos possuem dispositivo sonoro para auxiliar
as pessoas com deficiência visual.
(Foto: reprodução/TV Tem)
Já na cidade de
Marília,
a mobilidade das pessoas com deficiência visual é facilitada nas ruas
do Centro por semáforos de pedestre que emitem o sinal sonoro quando
termina o tempo de travessia dos pedestres e é liberada a passagem dos
veículos.
De acordo com a Emdurb, autarquia responsável pelo sistema, os
semáforos com o dispositivo foram instalados há 10 anos e a Prefeitura
estuda formas de ampliar o serviço para outros pontos críticos da
cidade. Atualmente, o semáforo funciona em três cruzamentos da Avenida
Sampaio Vidal – com as ruas Prudente de Morais, 9 de julho e Dom Pedro.
“Lembrando ainda que Marilia tem o Gaoc, Grupo de Apoio e Orientação à
Cidadania, e que mantém agentes permanentes nos locais com maior fluxo
de pessoas e veículos, e que estes, sempre que possível, auxiliam a
travessia de idosos, deficientes e crianças nos principais cruzamentos
do centro”, ressalta Fernando Alves, assessor de imprensa da autarquia.
A assessoria informou ainda que Prefeitura abriu licitação para, ainda
no primeiro semestre deste ano, adquirir mais 19 jogos de semáforos mais
modernos, inclusive com contador regressivo e, possivelmente, os pontos
com o dispositivo sonoro para deficientes visuais serão implantados em
outros locais críticos.
Região Noroeste
Em
São José do Rio Preto,
no interior de São Paulo, a Biblioteca Pública Municipal abriga uma
sala especial voltada para deficientes visuais. O local foi criado no
ano de 2006, em parceria com a Fundação Dorina Nowill, que fornece um
acervo de livros em braille e áudio. Atualmente, a sala conta com 372
títulos diferentes, sendo 192 impressos (braille) e 180 em áudio (MP3 e
CDs).
Livros são disponibilizados em braille para visitantes em Rio Preto, SP (Foto: Divulgação / Ricardo Boni)
O acervo da biblioteca é o mesmo disponível no Instituto dos Cegos da
cidade, por isso a demanda ainda é baixa, já que muitos moradores,
deficientes, acabam pesquisando os títulos na instituição. O objetivo é
que o espaço ganhe cada vez mais adeptos. Aos interessados em visitá-lo,
a sala fica aberta à população de segunda a sexta-feira, das 8h às
20h30.
Região de Itapetininga
Em Itapetininga, o Centro de Pesquisa e Reabilitação Visual (Ceprevi)
atende atualmente 60 deficientes. De acordo com a presidente da
entidade, Ana Maria Murosaki Marczuk, são 40 crianças e 20 adultos. No
local são feitos diversos trabalhos como habilitação, reabilitação,
alfabetização em Braille, aulas de canto e atividades esportivas. Os
atendimentos são gratuitos e contam com terapeuta ocupacional,
pedagogos, professores de educação física e de música.
Deficientes aprendem leitura em braile na região de
Itapetininga, SP (Foto: Guilherme Martins/G1)
Ana Maria se enche de orgulho para falar dos projetos desenvolvidos
pela entidade, principalmente pelo coral - “O grupo já tem shows
agendados para todo o ano de 2012”.
Já no ramo esportivo, o Centro tem uma das únicas equipes de Goalball,
um jogo ao estilo do futebol de salão adaptado para deficientes. “Eles
representam a região em campeonatos estadual e nacional”, afirma Ana
Maria
O Ceprevi também atende moradores São Miguel Arcanjo, Alambari, Capão
Bonito, Paranapanema e Guareí. Os deficientes ainda encontram no local
um acervo de livros em braille. “Somos um dos únicos pontos de leitura
para eles na região”, ressalta Ana Maria .A entidade fica na Rua
Sulpízio Colombo, 30, Jardim Colombo.
Dicas para se relacionar com deficientes visuais
A Associação de Sorocaba relatou também algumas dicas que podem ajudar
no relacionamento com pessoas deficientes visuais e no modo de
tratá-las. Confira:
- Ter respeito, educação e carinho;
- Não sentir pena do deficiente visual. A educação especial e a reabilitação permitem superar muitas dificuldades;
- A cegueira é uma deficiência sensorial, não é uma doença;
- Não gesticular nem apontar, pois isso não significa nada para o
portador de deficiência visual. Ao indicar direções, tomar como
referência a posição dele, e não a sua;
- Não pensar que os cegos têm um sexto sentido ou alguma outra
compensação pela perda da visão. Eles apenas desenvolvem recursos
latentes em todos nós;
- O deficiente visual não precisa adivinhar quem está falando com ele;
sua memória auditiva é boa, mas é impossível se lembrar de todas as
vozes. Assim é melhor identificar-se quando o encontrar e se despedir
dele quando sair;
- Em ambientes desconhecidos, ou em situações novas, oferecer ao
deficiente visual o maior número possível de informações, para que ele
se oriente e se localize, sabendo o que está acontecendo. Evitar que ele
passe momentos de tensão e desconforto;
- Os portadores de deficiência visual se interessam por tudo que interessa a você, desfrutando das coisas a seu modo;
- Um deficiente visual não é de responsabilidade exclusivamente sua,
mas de toda a sociedade. E, acima de tudo, deve ser responsável por si
mesmo. Não faça tudo por ele, como se fosse incapaz;
- Não é preciso dar comida na boca da pessoa com deficiência visual.
Descreva os alimentos servidos, faça o prato para ela e explique onde
está a comida no prato. Ela pode falhar algumas vezes, mas se arranjará
sozinha.